
Assembleia Regional da Pastoral da Pessoa Idosa reúne lideranças em Campo Grande
Evento realizado na sede da CNBB Oeste 1 capacita líderes de Mato Grosso do Sul para fortalecer o acompanhamento humanizado e a defesa dos direitos das pessoas idosas no Estado.
Colaboração: Marcos Ermínio
Há presenças que não fazem barulho, mas transformam a vida. Uma visita que chega no momento certo, uma conversa demorada junto à janela, uma oração feita ao lado da cama, uma mão que segura outra mão. Para muitas pessoas idosas, esses gestos simples significam que ainda são lembradas, amadas e importantes.
Foi com esse espírito que coordenadores e representantes da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI) do Regional Oeste 1 da CNBB (Mato Grosso do Sul) se reuniram na Assembleia Regional da Pastoral, nos dias 17 e 18 de outubro, na sede da CNBB Oeste 1, em Campo Grande. O evento contou com a presença de Dom João Batista Oliveira, SVD, Bispo da Diocese de Santa Cruz de Corumbá e referencial da Pastoral da Pessoa Idosa, com o objetivo de fortalecer a missão pastoral, aprofundar a formação e planejar ações capazes de alcançar as diferentes realidades do território sul-mato-grossense.

A proposta da assembleia reforçou que a pessoa idosa não deve ser vista apenas como alguém que precisa receber cuidados, mas como sujeito de direitos, de história, de fé, de participação e de contribuição para a vida da Igreja e da sociedade.
A programação da assembleia contemplou momentos de espiritualidade, reflexões sobre a identidade e a missão da PPI, metodologia de acompanhamento, organização pastoral, comunicação, uso do Sistema de Informação e Gerenciamento da Pastoral da Pessoa Idosa (SIGPPI), proteção de dados, planejamento e análise das realidades diocesanas do Estado.
Representando a Coordenação Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, a assistente social Regina Riba destacou que a missão da PPI nasce do compromisso de não permitir que nenhuma pessoa idosa seja esquecida.
“Para nós, da Coordenação Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, existe uma preocupação muito especial em fazer com que essas pessoas não sejam esquecidas. A PPI é uma Igreja em saída, chamada a ir ao encontro de quem mais precisa, levando os afetos da Igreja e a ternura de Deus a todas as pessoas que envelhecem”, disse Regina Riba.

A afirmação encontra profunda ressonância nas orientações da Igreja para o cuidado com a terceira idade, recordando que muitas pessoas idosas vivem sob o risco do anonimato e do abandono. Diante dessa realidade, a Igreja é convidada a recuperar a proximidade e a ternura. A visita domiciliar realizada pelos líderes da Pastoral da Pessoa Idosa torna visível essa promessa: ao entrar em uma casa, o agente não leva apenas uma orientação, mas companhia, escuta e a certeza de que aquela vida continua tendo valor.
Em Mato Grosso do Sul, a missão da Pastoral enfrenta as características próprias de um território vasto e diverso, marcado por distâncias entre municípios, áreas rurais, assentamentos, comunidades indígenas, pantaneiras e periferias urbanas. Para a coordenação, fortalecer as lideranças locais é uma das principais estratégias para que a presença da Igreja chegue a esses lugares.
A coordenadora regional da Pastoral da Pessoa Idosa em Mato Grosso do Sul (Regional Oeste 1), Rosane Franciose de Carvalho, destacou a importância da capacitação dos voluntários e leigos para que as visitas sejam qualificadas e humanizadas e a importância e comprometimento.
“É necessário promover a capacitação básica dos leigos, preparando-os para uma visita qualificada e humanizada. A atuação desses voluntários não se limita aos templos; ela se estende para o coração da sociedade, indo aos lares onde a pessoa idosa muitas vezes enfrenta a solidão e a vulnerabilidade. A visita, nesse sentido, é mais do que uma tarefa pastoral: é uma atitude de fé. Ao visitar as famílias, o líder da Pastoral da Pessoa Idosa assume seu papel de batizado, sendo a presença viva de Cristo que escuta, acolhe e devolve a dignidade”, afirmou Rosane Franciose de Carvalho.
Rosane apontou ainda os desafios logísticos enfrentados na região para alcançar todas as paróquias e comunidades de Mato Grosso do Sul:
“Nosso maior desafio é a logística do território e o comprometimento dos voluntários e garantir os recursos para estarmos presentes em todas as dioceses e paróquias, levando a capacitação básica e o acompanhamento necessário. Precisamos garantir que a voz, os direitos e as necessidades da população idosa sejam defendidos com base nos valores do Evangelho e da justiça social”, completou a coordenadora regional.
A missão da Pastoral da Pessoa Idosa é contínua e se realiza a cada visita, a cada escuta atenta e no combate ao isolamento social. Ao final da assembleia na capital sul-mato-grossense, os participantes serão motivados a retornar às suas paróquias e dioceses com o compromisso renovado de levar a ternura e a presença da Igreja aos lares de Mato Grosso do Sul.
Fotos: Marcos Ermínio